
Setembro, 2011.
"Tomei minha decisão, precisamos conversar". Pronto, estava tudo ensaiado na minha mente, tudo meticulosamente calculado, cada palavra que eu usaria, cara gesto que eu pudesse usar a meu favor e quantos "não's" fosse necessários seriam ditos. Sem pena, nem dó ou piedade.
Eu tomei a frente dos assuntos e falei:
-"Tomei minha decisão! Não me importa se é o certo, ou se é o errado. Não estou me preocupando se vou sofrer, ou se você vai sofrer. Os dados foram lançados a ultima vez essa noite e a sorte nunca mais brincará de nos ver felizes."
Não deixei que ele falasse por que eu sabia que ele viria com argumentos estúpidos, coisas sem sentidos e conversas fiadas que só iam continuar me deixando a ver navios que nunca chegam. Ele ia continuar a me deixar sentada no cais do porto esperando um navio que nunca vai chegar.
Mais uma vez retornei a falar em bom som, pra que ele entendesse e não me forçasse a repetir aquelas palavras.
-" Infelizmente, você escolheu ela e isso eu não posso fazer nada. Eu sei que sou fraca. Sei que deveria lutar pelo que quero e pelo que desejo. Mas eu não consigo imaginar como seriar arrancar de uma pessoas as lagrimas ao invés de sorrisos. Não sou assim. Nasci para trazer alegrias a corações inquietos e não para tirar a alegria de corações calmos. Não sei semear o caos, por mais que as vezes eu tente."
Naquele momento ele não percebeu mas eu estava desmoronando por dentro. Eu estava perdida, sem saber o que fazer. As mãos estavam geladas, as pernas bambas e a voz trêmula. O nó na garganta não tinha tamanho mensurável e eu estava em tempos de desabar chorando. Porém, tinha que ser forte e seguir em frente com minha decisão. Olhei atentamente no fundo de seus olhos, aqueles olhos castanhos que me deixavam louca de amor, sim, esses olhos castanhos. Olhei fixamente e falei:
-" Me deixe ir. Te deixarei em paz. Eu que trouxe a tempestade num dia de sol, ou o dia de sol no meio da tempestade. Eu que baguncei querendo acalmar, ou acalmei bagunçando. Que menti falando a verdade e que falei a verdade mentindo. Eu estou saindo, estou indo e não tente impedir. Hoje não quero ver o circo pegar fogo. Hoje o circo desabou e a palhaça saiu de cena."
Pronto, fiz o que tinha de ser feito. Estava doendo tanto ter que abrir mão da minha felicidade. Mas fiz o que devia ser feito. Eu prometi a mim mesma que não iria fazer o que eu fiz. Mas infelizmente eu sou terrivelmente desobediente, e fiz! Olhei novamente pra ele falei:
-" Já parou pra pensar como vai ser sem mim? E quando eu não atender? Ou quando eu disser NÃO ao invés de SIM? E se amanhã eu não estiver esperando? Já pensou como vai ser me perder?!
Perdi o controle. E Falei mais alto:
-"Você foi a unica pessoa burra o bastante pra não ver que até agora eu abri mão de tudo por você. Estou neste momento abdicando da minha felicidade pra ver a felicidade de alguém que não sei quem é e que eu tenho certeza que não faria o mesmo por mim. Para de dar murro em ponta de faca. Para de fazer isso. Se quer ficar comigo então me mostra isso. Eu cansei. Estou cansada de estar esperando um sol que nunca nasce, uma chuva que nunca cai e um final feliz que nunca chega. Eu queria muito, muito mesmo ainda estar aqui quando você se decidir. As mil e uma noites que virão são suas, e meu só um minuto antes do sol amanhecer. Se você me pedisse ...
Hoje eu estou aqui, e quando eu não estiver? E quando eu cansar de vez? E se chegar alguém que me mostre o que eu quero conhecer. E onde você fica? E onde ficamos nós? A espera da sua boa vontade? Não foi isso que eu esperei, mas trato é trato...."
Deixo aqui a minha revolta. Deixo aqui a minha raiva de saber que estou permitindo que ele faça isso comigo. Que fique bem claro o que já está nítido: Eu quero te mostrar que a vida pode ser vivida e não negligenciada, como você fez até agora.
Até breve,
Ass.: A Dona das Gotas de Marfim.