segunda-feira, 21 de maio de 2012

Arranquei-o e tranquei.


Maio, 2012.

Sinceramente, não é bem assim que se esfola um bode! É assim que já diziam os mais antigos quando se referem a coisas que saem erradas e quando querem nos dizer que não é bem assim que as coisas acontecem.
Pois bem, concordo quando se diz que não é assim que se faz. Bom, pra quem faz até deve ser legal, mas pra vitima, bom queridos, não é bem assim! Aos mais desavisados, cuidado antes de bater. Quem bate esquece, mas cicatrizes nos ajudam a lembrar de momentos que vivemos.
Esses dias ouvi umas vozes que a exatamente um ano atras eu ouvia. Uma voz bem doce que sempre me dizia pra fazer isso, pra deixar de lado aquilo, pra esquecer de outro e procurar um e esquecer de um e machucar outro, e tal e coisa e coisa e tal. Era uma voz colorida e num tom certo, quase a frequência do vidro, como um toque de cristais brutos e perfeitos em sua composição rara e unica! Esta maldita voz me fez saltar de um penhasco, arriscar e me machucar toda. Agora ela me vem ao pé do ouvido novamente e eu lhe disse: me seduza com suas propostas, me deixe encantada, me enfeitice. Querida voz, não caio mais nessa de "pula, vai la... só uma vez... é bom...." o que me move esta devidamente guardado, bem longe de mim, por que se fica perto... Bom, se você der uma lida nos textos vai se tocar do que acontece quando eu fico perto de tais "coisinhas".
Bom, é sempre assim né, a mesma mão que acaricia fere e sai furtiva.

Até Breve,
Ass.: A Dona das Gotas de Marfim.

sábado, 19 de maio de 2012

Podem me chamar do que quiser...


Maio, 2012.

Senti falta. Senti saudade.
Dos momentos engraçados, das horas de nada pra fazer, do desespero do final de semestre.
Quis sentir de novo, e senti.
Senti o coração bater mais forte, sem motivos. A estranha felicidade de cair e rir da própria queda, o desleixo de um doce sábado.
Quis cozinhar, quis experimentar, inventar e inovar. Preparei e me deliciei!
Pensei em sei lá, fazer nada talvez, ou encher o saco das amigas.
Cantei.
Assisti.
Vi e revi.
Renasci!

Até breve,
Ass.: A Dona das Gotas de Marfim.

domingo, 13 de maio de 2012

Livra-me de todo o mal!


Maio, 2012.

"O Senhor é o meu pastor, nada me faltará.
Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranqüilas.
Refrigera a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça, por amor do seu nome.
Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque Tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.
Preparas uma mesa perante a mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda.
Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na casa do Senhor por longos dias."
(Salmo 23)

Senhor, não me deixe cair na tentação que me persegue e atormenta minha mente e meus sonhos. Livra-me de todo o mal e do mal que me acompanha como um carma todos os dias, e torna cada lembrança em um sofrimento sem fim. Que o Senhor Deus me permita não derramar mais lágrimas por um tormento do qual estou fada a carregar por um tempo que não cessa e nem tem fim. Não me deixe cair em tentação e livre-me do mal que o escuro pode me trazer.

Ass.: A dona das Gotas de Marfim

sábado, 12 de maio de 2012

Nota mental!



Maio, 2012.

I wanna be a billionaire so fucking bad.

Ass.: A Dona das Gotas de Marfim.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

"Quanta coisa aconteceu e foi dita..."



Maio, 2012.

"Seu sorriso é o que eu preciso e quanto ao resto eu juro tanto faz. Sua ausência me condena a dor da Saudade..."
(Móveis coloniais de Acaju - Dois Sorrisos)


Ass.: A Dona das Gotas de Marfim

P.s.: Que você tem problemas eu sei. Por isso é que você me imita. São coisas da idade. Eu tenho tudo o que você precisa e mais um pouco. Nós somos iguais na alma e no corpo.
(Barão - Narciso)

sábado, 5 de maio de 2012

Me and Mr. Jonnes



Maio, 2012.

Era uma noite com tudo pra ser detestavelmente linda e perfeita, porém, uma certa taça de vinho italiano mudou a terrível maldição da noite enluarada.
O telefone tocou, nem acreditei quando atendi e era sua voz naquele tom suave, quase que sussurrando ao pé do meu ouvido. Foi como um delírio febril, uma alucinação. Completamente abobalhada nem se quer sei o que falamos, só sei que sem perceber caminhei para guilhotina que me aguardava como se caminhasse em direção ao altar, disse um sim com um tom de desejo!
Decidi que seria hora de retirar do fundo da adega aquele vinho italiano cabernet-sauvingon que compramos na ultima viagem a Itália. Talvez a melhor de todas. Lembra das lindas visões de Roma? Dos sabores da Toscana? Lembra de todos os vinhos, todos os delírios e todos os desejos daquele carnaval em Veneza? Parecia que tínhamos acabado de nos conhecer quando você tirou minha máscara e me beijou naquela praça.
Vinho devidamente gelado, era hora do cardápio. Nada demais, pensei em um filet de cordeiro. Será que se lembra daquele filet de cordeiro que provamos na viagem ao Marrocos? Aah, e aquele cuscuz marroquino na viagem ao Cairo? A culinária árabe é tão maravilhosa como os encantos desses lugares. Lembra daquela casa de chás que fomos no Cairo? Nossa, as bailarinas pareciam verdadeiras Deusas da Dança.
Sabe do que eu lembrei pensando em você, daquela torta de maçã que experimentamos em Viena, Apfelstrudel, como eles chamam lá. A nossa, a viagem a Viena foi indescritível. Lembra que era outono e a cidade tinha um tom alaranjado lindo. Lembra também que brincamos dizendo que nos casaríamos lá, em Viena, mas a cidade teria que ter aquele tom e todos os convidados só comeriam Apfelstrudel. Quantas lembranças boas.
Optei por usar aquele vestido Channel que você me deu como mimo na viagem a Paris. Ah Paris, é tão linda como as histórias e romances que a cercam. O lugar da nossa primeira e ultima viagem. Começamos em Paris e terminamos em Paris. Se não tivesse tido um fim terrivelmente trágico se tornaria um poema, ou até um quadro.
Você chegou de leve, nem o ouvi entrar, senti o cheiro do perfume Calvin Klein que lhe dei quando fomos aos Estados Unidos. Havia esquecido que você ainda tinha a chave do nosso apartamento. Você lindo... Num "look" digno de um galã. Sentamos ao luar, e você abriu o vinho.
Risadas, gargalhadas, lembranças das viagens. Você insistiu em lembrar do mico em Amsterdã, quando naquela rave eu provei um certo doce e fiquei completamente louca e você rindo. Lembrei-lhe também da viagem a Colômbia, do famoso chá de coca.
Foram tantas viagens... Tantos lugares, tantos sorrisos, tantas festas. Nós eramos extremamente felizes e nãos nos davamos conta disso. Ou melhor, sabíamos sim o quanto eramos felizes.
Depois talvez da decima taça de vinho, quando lembramos da ultima viagem a Paris, você me olhou serio e me perguntou: Por que acabamos assim?
Não aguentei e derramei uma lagrima e acho que ficou subentendido que nem nós mesmos sabíamos ao certo porque havíamos posto um fim no nosso romance.
Calados, ele me olhou e puxou para um tango. Enquanto dançávamos ele me falou ao pé do ouvido:
"Eu te amo, amo até mais do que queria amar. Sei que foi erro meu e seu também. Demoramos demais pra perceber. O destino foi injusto com nós dois e agora não pertencemos mais um ao outro..."
Depois de vários copos de vinho ao som de vários blues e iluminados por uma lua desgraçadamente linda, a noite chegou ao fim, sem explicações e sem um consenso, exatamente igual a ultima viagem a Paris.
E assim ficamos. Sofrendo em silencio fingido estar tudo bem e vendo as viagens dos outros tentarem ser iguais as nossas. Nunca serão. Nós nunca mais seremos, essa é a terrível verdade que se estampava como o dia que vinha nascendo enquanto eu terminava de tomar o vinho, sozinha, como tem que ser.

Até Breve,

Ass.: A Dona das Gotas de Marfim.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Passar bem!


Maio, 2012.

Caríssimos,

Venho por meio desta dar um recado que ha muito já devia ter sido dado e por falha humana ou por mero esquecimento, caiu nas graças do tempo e foi temporariamente, repito, temporariamente deletado da corrida e pouco espaçosa mente desta que vos escreve.
Em especial, pra uma semente mal plantada, que já nasceu com cara de abortada e que infelizmente veio ao mundo e perdeu a viagem por que é uma pessoa fraca e derrotada que vê a luz e não consegue iluminar sua miserável e mal fadada vida, como um inseto nojento voando em volta de uma lâmpada. Pra esta pessoa querida eu só peço uma coisa: Grandeza e um pouco de coragem. Piedade Senhor, com almas mesquinhas.
Recado dado, deixo aqui minhas sinceras e emotivas sensações de pena com tais sementes. E quando perguntarem, responda com seu silencio.

Até breve,

Ass.: A Dona das Gotas de Marfim.

Se um sabiá chegar pra lhe acordar, esse sabiá sou Eu.



Maio, 2012.

Resolvi dormir com a janela aberta, não sei, talvez quisesse sentir a brisa da noite enquanto dormia. Aquela brisa que lhe traz lembranças boas e que lhe faz chorar de saudade sem saber de quem. Pois bem, desejo a mim concedido pelos anjos da guarda e pelo Deus do sonho, meu grande amigo de linda e longa data, Morfeu. Dormi embalada ao som de um blues carregado e iluminada por uma luz que amarela insistia em me despertar.
Nessa manhã, que está linda, eu acordei com um leve sopro de brisa que tinha um perfume familiar. Ao abrir os olhos deparei-me com um lindo sabiá laranjeira em minha janela, e ele se aproximou de mim. Eu achei estranho um sabiá laranjeira em uma cidade grande, achei que ainda estivesse sonhando, mas não queria acordar, pois a visão do nascer do sol emoldurando o sabiá, que trazia uma flor em seu bico, me deixou extasiada. Para maior espanto, o sabiá trazia em seu bico uma açucena vermelha, mas não era um vermelho qualquer, era um velho vivo e pulsante, nunca havia visto antes aquela cor e muito menos uma açucena. Eu estendi a mão e o sabiá nao se assustou, gentilmente me permitiu que pegasse a flor que segurava, e eu peguei. O sabiá começou a assobiar, mas não era o canto do sabiá, era uma canção...
Era assustador e espantoso o modo como o sabiá cantava a melodia pra mim, como na tentativa de que eu continuasse a canção, mas eu nao conseguia associar... De repente eu comecei a cantar uma canção que prometi que não cantaria nunca mais, e cantei os seguintes versos:
"Não se admire se um dia
Um beija-flor invadir a porta da sua casa
Te der um beijo e partir
Foi eu que mandei o beijo
Que é pra matar meu desejo,
Faz tempo que eu não te vejo
Ai que saudade d'ocê..."
O sabiá parecia ter ficado feliz e continuou assobiando a canção. Depois parou, voou dentro do meu quarto ao redor de mim e pousou no meu ombro, me olhou de novo e depois voou.
Se foi um sonho? Não foi. Estava acordada e a açucena ainda esta em cima da minha cama sobre os lençóis bagunçados.
Quem foi? Não sei, só sei que adorei o sabiá me acordando.
E ao pequeno sabiá deixo o meu pedido: "Tu que andas pelo mundo, Sabiá. Tu que tanto já voou, Tu que cantas passarinho, alivia a minha dor! Tem pena d'eu, diz por favor, Tu que andas pelo mundo onde andas meu amor...."


Até Breve,

Ass.: A Dona das Gotas de Marfim.