sábado, 20 de fevereiro de 2016

Marinheiros



Fevereiro, 2016.

Corrija-me, apenas se eu estiver errada.
Ele chegou, lhe roubou sorrisos, lhe deixou com o rosto corado. Fez seu coração acelerar, roubou-lhe um beijo na mão ou no rosto e partiu. No dia seguinte, mensagens ou ligações, chocolates ou bilhetes, fotos ou convites, apenas uma pequena forma de ser lembrado e de lhe arrancar mais sorrisos sem graça na frente dos que de nada sabem. Na noite a conversa foi bonita, foi serena, foi convidativa. Ele lhe roubou um beijo, lhe deu carinho, lhe prendeu em abraços e fez aquilo parecer balé clássico bem ensaiado. Ele disse que você era única, fez cara de espanto em alguns momentos, sussurrou ao pé do ouvido palavras profanas, exibiu a cara de feliz e fez você crer que é uma deusa e ele um mero mortal que necessita de você naquele momento pra ser completo, e que aparentemente, como todo bom mortal fiel, lhe fara orações diárias e não esquecerá a fé e o encanto depositado em sua Deusa. E ele não voltou. Ele lhe magoou, ele fez o que antes era sorriso virar lágrima. Ele é marinheiro, fazer o que.
Ela bem de leve mexeu o cabelo, e você a notou. Você se apresentou e ela sorriu. A conversa foi bonita e suave, parecia água correndo entre os dedos. Meio de susto ela viu que passava da hora, lhe abraçou e se despediu. Ela aceitou o convite, retribuiu o bom dia, mandou foto pra você tê-la por perto e não sentir falta. Ela cantava como sereia, os olhos lhe hipnotizam e você feito bobo ia se enrolando mais e mais naquela teia. Ela lhe disse que você era único, mostrou olhares perigosos, lhe deu beijos maliciosos, contou segredos escuros. Fez você acreditar que era um deus, e ela uma mera mortal rendida e completamente enebriada pelo seu poder, pela sua força, pela forma doce como conduzia aquilo que de tao bonito parecia tango. E você a viu dormir, completamente linda, despida de qualquer sentimento mal que exista. Só ela, envolta no seu mundo de sonhos. E ela saiu, sem dar bom dia, em tom arrogante, apressada e sem despedida. Ela é marinheira, isso acontece.
Mais uma vez, me corrija, caso eu tenha errado. Nem se quer percebemos, mas viramos todos marinheiros de amores em todos os portos. Um amor, como diria Vinicius, eterno enquanto dura. Uma chama rasa, que logo se apaga e ficou pra trás, antes fogo alto, agora só cinzas mornas. E assim, vamos espalhando amor, beijos, abraços. Vamos sendo marinheiros sem nos dar conta. E o pior não é ter um amor em cada porto. O que de veras é ruim, é o rastro de destruição de sentimentos que teremos no nosso caminho. Porém, de que importa, amanhã iremos embora! Afinal, somos marinheiros!


Até Breve,

Ass.: A Dona das Gotas de Marfim