quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Viuva




Aviso: Esse texto é de autoria de um amigo de longa e linda data que semanalmente me escreve e me confessa seu amor secreto por uma viúva. Bom, eu achei justo compartilhar o que é bem escrito. Espero que ele me perdoe!



E assim ela chegou. A uns seis ou sete anos atrás ela chegou discreta. Totalmente nova na cidade, ela foi motivo de um burburinho escomunal, todos queriam saber quem era, de onde vinha, se era solteira, casada ou separada. Quantos anos tinha, o que veio fazer aqui. Bom, como eu disse, ela chegou discreta, e discreta permaneceu. Pouco se sabe sobre ela. Eu, como curioso procuro sempre saber um pouco mais.
Não tenho como negar, naquela tarde de sexta quando o carro estacionou e ela saiu, de cabeça baixa, em um vestido preto de decote discreto que ia levemente marcando o corpo bem feito, uma maquiagem calma, e uns óculos escuros que tentavam esconder lagrimas que escorriam lentas e calmas. E ela entrou na casa antes vazia, agora preenchida por toda aquela beleza que se escondia por trás de um semblante triste. Mas por que ela chorava? O que fazia aquela moça ter o rosto triste?
Meu coração bobo acelerou ao vê-la, e se acalmou quando ela me olhou levemente por uma fração de segundo. Como não se apaixonar por um mistério de pele branca, boca bonita, cabelo bem cuidado e corpo esculpido a pincel. E nesse momento eu percebi um detalhe que solucionou o motivo real das lagrimas e das vestes pretas. Duas alianças em uma unica mão.
Viúva? Como viúva? Tão moça, e já sofrendo as dores de uma despedida sem retorno. Bom, isso foi a seis anos atrás.
De lá pra cá pouco se sabe sobre a viuva. Pouco se comenta. Ela não sai, não tem amigos, não tem filhos. Os empregados da casa cuidam de tudo fora dos domínios do portão, dela pouco se vê pela rua, e quando sai retorna logo.
Hoje é sexta, e como de costume, as 15:00 ela sai pra varanda, com duas taças de vinho, e ela fica ali com as tuas taças até que o sol se ponha. E ao surgir da lua uma taça permanece cheia e outra vazia, ela beija as alianças, respira e volta pra dentro do refugio que ela criou na própria casa E todas as sextas isso se repete. E meu coração sorri, por que só assim eu vejo a viúva, que ainda sofre, que ainda chora, que ainda se esconde.
E é esse mistério que me prende, é esse não saber que me faz querer ver essa viúva. Quem sabe um dia eu tenha coragem pra dizer oi pra viúva bonita da casa ao lado.
E assim eu fico, no aguardo das sextas, pra ver seu rosto bonito.

Com todo o amor, desse seu amigo viciado em amar errado!






terça-feira, 27 de outubro de 2015

Trois


Outubro, 2015.

Foram três...
Três inesquecíveis! Os três mais amados, os mais queridos, os mais desejados! Foram os 3 mais apaixonados, os 3 mais alegres, os 3 mais animados!
Foram 3...
Talvez os 3 que mais me decepcionaram, os 3 que mais mudaram, os 3 mais calorosos que se tornaram os 3 mais gélidos.
Existiram Três...
Três de momentos lindos, de sorrisos sem motivos, três motivos bons pra sorrir, três sorrisos pra se ver depois de três palavras sempre ditas nesses três!
Existiram 3...
Três gritos perdidos, três caras feias e amargas, três motivos pra gritar e pra se estar com o rosto marcado por semblantes amargos que foram afogados por três lagrimas presas que aguaram os três que foram vividos...
Acabaram 3...
Acabaram os 3 que não acabariam, dormiram os 3 que não dormiriam, morreram os 3 que não morreriam... e ao terceiro dia não se quer despertaram.
Acabaram três...
As três mais ditas foram caldas, as três mais lidas foram apagas, as três mais pensadas foram escondidas... as três que representaram o sentimento representam agora o Adeus!

E assim acabam exatamente com três: Fique com Deus!

Até Breve,

Ass.: A Dona das Gotas de Marfim.

domingo, 4 de outubro de 2015

É uma ideia que existe... sem a menor intenção de convencer!



Outubro, 2015.

Uns olhos cor de medo, cor de susto. Esses olhos que se escondem atras de um meio sorriso discreto, tímido e recolhido, emoldurado por um rosto levemente corado de pavor, de medo e de insegurança. Uns olhos de cor calma, de cor clara e alma amarga! Um sorriso rustico, bonito e contido. Um rosto delicado, assim bem bonito, assim bem entristecido. Esses olhos começaram a brilhar, o sorriso a se mostrar e o rosto a se acalmar. A valsa começou a tocar, uma mão tremula me puxou pra dançar e ai deslizamos por toda noite passos de valsa, olhares discretos, meio sorrisos maliciosos e faces levemente avermelhadas.
E assim fomos dançando, nos deixando levar por aquela ilusão. E nesse momento tudo sumiu da nossa frente como um passe de magica, só eu e aqueles olhos me fitando, se chegando, sentindo meu cheiro perto do meu ouvido. E os olhos antes tristes se mostraram ferozes, um olhar de quem caça, o sorriso discreto passou a ser aquele sorriso cheio de pecado, como um tigre que sorri pra sua presa ali indefesa, o rosto agora me mostrava um expressão seria, concentrada. E de repente a leveza da valsa foi deixada de lado por toda a violência e fúria do nosso pasodoble. E aquela dança parecia uma tourada, a respiração ofegante dava ritmo aos abraços apertados e aos passos complicados. E aquela dança foi nos envolvendo e nos dominando. E sempre mais um abraço, mais uma passada de pernas, mais um aperto na cintura e a respiração pulsando e nos enlouquecendo e parecia nao ter fim... E aqui para. Exatamente aqui. Sem fim, sem concesso. E aqueles olhos continuam a me olhar, o sorriso continua a me desejar e o rosto continua aqui tentando sempre roubar o perfume de mim. É a simpatia da dança, é a simpatia do olhar, do sorrir e do despedir!
E com as sabias palavras de Casimiro, aqui eu encerro minha dança. E assim disse ele:
"Simpatia - meu anjinho,
É o canto do passarinho,
É o doce aroma da flor;
São nuvens dum céu d'Agôsto,
É o que m'inspira teu rosto...
- Simpatia - é - quase amor!"

... Pasodoble - é - quase valsa (só que com mais calor!)...


Até Breve,

Ass.: A Dona das Gotas de Marfim.