sexta-feira, 15 de maio de 2015

Me disseram que me viram por ai...



Maio, 2015


O telefone tocou insistentemente, como um bebê chora em uma madrugada interminável. Algo me prendia a cama como se fossem correntes. O dia amanhecia calmamente e o sol ia clareando aos poucos o quarto bagunçando. As fotos dos nossos momentos felizes iam se iluminando, os presentes, a decoração. A unica que naquele momento não se iluminava eramos nós dois, antes tão próximos e agora dois estranhos dividindo o mesmo relacionamento.
o telefone continuava a tocar e o choro preso a minha garganta parecia travar a mão impedido que ela alcançasse o celular ali ao meu lado, tocando e aparecendo a sua foto. Você, sempre você pra me ligar, no mesmo horário, do mesmo jeito; nada de novo. Porém quando eu atendi, o silencio foi a novidade. Ficamos ali, em silencio, até você me perguntar: "E aí, como você tá?". Conversamos muito pouco, uma conversa finalizada com um falso "Eu te amo", sem o menor sentimento, sem o menor calor, só "Eu te amo".
A quem estamos querendo enganar? Pra quem estamos fingindo ou mentindo? Acabou, é simples assim. Não adianta postergar um fim evidente. E toda essa farsa pra fingir que estamos bem? Um tomando o tempo do outro, um gastando a juventude do outro. Você parece sempre bem, pra você está otimo, exatamente como o eu te amo seco do final da ligação. E Eu? Onde eu entro? Quem se importa, pra ele esta tudo bem mesmo.
São quase dez da manhã, e as lagrimas pesam nos olhos de forma extremamente dolorosa. Porém é hora de vestir a mascara de boa moça e sair. O sol saiu de casa cedo, e eu também vou. Não adianta me esconder e arrumar a mala, se eu não vou sair disso, seu nem ao menos sei onde quero ir. E assim vamos levando, com simples e secos "Eu te amo".


Até Breve,

Ass.: A Dona das Gotas de Marfim.