sábado, 19 de dezembro de 2015
Carta à Mérope
Fortaleza, 16 de Dezembro do ano da Gloria de 2015,
Pena é um sentimento tão feio, mas não pude deixar de senti-lo por ti. E desde então me pergunto, por que tu, moça bonita, se humilha tanto por um rapaz que, claramente, não te quer? Moça, você grita ao mundo que não o quer mais, tenta convencer todos dessa mentira, mas nem a ti mesma tu consegue enganar. Eu, um dos meros espectadores sem voz dessa sua desgraça, apenas aceno com a cabeça quando você profere o nome dele. E o fala várias vezes. Enumeras vezes. Querida, entenda, não dá para esquecer o que com frequência é lembrado. Tenho pena também das orelhas do rapaz, que devem fumegar e enrubescer a todo momento, até porque o seu digno nome não sai da tua boca, né moça? Tantos já te disseram, tantos já tentaram fazer com que você parasse, porém, como já dizia Jesus," tu não abrirás os olhos do teu irmão". Não tenho intimidade o suficiente pra te dizer essas coisas, o máximo que posso fazer é sentir pena, muita pena de ti. E é exatamente isso que eu estou fazendo agora.
De Yôna M. A.
Para uma moça (sofredora/burra) bonita de coração pisado.
{Essa carta foi enviada a mim por uma amiga de longa e linda data como forma de desabafo de uma amiga que já não aguenta mais as lamurias de sua amiga abandonada por um jovem rapaz que ela julga ser seu, pois so controlamos a vida do que é nosso. Durante uma noite lua, com os pés badalando na agua a beira da piscina iluminada, minha queria Yôna deixou transferir da sua mente para o papel tais palavras que assim como ela são agressivamente verdadeiras e docemente aceitas pelos olhos de quem lê, sem quaisquer questionamentos possíveis. A tal moça a quem se destina a carta não chegou a vê-la e provavelmente nao a verá, pelo simples motivo de que: não dá pra ajudar quem não quer ser ajudado!
À minha querida Yôna: você me presentei com suas palavras, seus conselhos e sua doce ausência de apego a sentimentos.
À jovem moça eu não digo nada, afinal, so escutamos conselhos quando queremos! Eu não gastarei nem palavras e nem gotas de marfim com seu sentimento se fundação e completamente insano, entenda, amor é diferente - bem diferente- de posse!
Até Breve,
Ass.: A Dona das Gotas de Marfim}
quarta-feira, 28 de outubro de 2015
Viuva
Aviso: Esse texto é de autoria de um amigo de longa e linda data que semanalmente me escreve e me confessa seu amor secreto por uma viúva. Bom, eu achei justo compartilhar o que é bem escrito. Espero que ele me perdoe!
E assim ela chegou. A uns seis ou sete anos atrás ela chegou discreta. Totalmente nova na cidade, ela foi motivo de um burburinho escomunal, todos queriam saber quem era, de onde vinha, se era solteira, casada ou separada. Quantos anos tinha, o que veio fazer aqui. Bom, como eu disse, ela chegou discreta, e discreta permaneceu. Pouco se sabe sobre ela. Eu, como curioso procuro sempre saber um pouco mais.
Não tenho como negar, naquela tarde de sexta quando o carro estacionou e ela saiu, de cabeça baixa, em um vestido preto de decote discreto que ia levemente marcando o corpo bem feito, uma maquiagem calma, e uns óculos escuros que tentavam esconder lagrimas que escorriam lentas e calmas. E ela entrou na casa antes vazia, agora preenchida por toda aquela beleza que se escondia por trás de um semblante triste. Mas por que ela chorava? O que fazia aquela moça ter o rosto triste?
Meu coração bobo acelerou ao vê-la, e se acalmou quando ela me olhou levemente por uma fração de segundo. Como não se apaixonar por um mistério de pele branca, boca bonita, cabelo bem cuidado e corpo esculpido a pincel. E nesse momento eu percebi um detalhe que solucionou o motivo real das lagrimas e das vestes pretas. Duas alianças em uma unica mão.
Viúva? Como viúva? Tão moça, e já sofrendo as dores de uma despedida sem retorno. Bom, isso foi a seis anos atrás.
De lá pra cá pouco se sabe sobre a viuva. Pouco se comenta. Ela não sai, não tem amigos, não tem filhos. Os empregados da casa cuidam de tudo fora dos domínios do portão, dela pouco se vê pela rua, e quando sai retorna logo.
Hoje é sexta, e como de costume, as 15:00 ela sai pra varanda, com duas taças de vinho, e ela fica ali com as tuas taças até que o sol se ponha. E ao surgir da lua uma taça permanece cheia e outra vazia, ela beija as alianças, respira e volta pra dentro do refugio que ela criou na própria casa E todas as sextas isso se repete. E meu coração sorri, por que só assim eu vejo a viúva, que ainda sofre, que ainda chora, que ainda se esconde.
E é esse mistério que me prende, é esse não saber que me faz querer ver essa viúva. Quem sabe um dia eu tenha coragem pra dizer oi pra viúva bonita da casa ao lado.
E assim eu fico, no aguardo das sextas, pra ver seu rosto bonito.
Com todo o amor, desse seu amigo viciado em amar errado!
terça-feira, 27 de outubro de 2015
Trois
Outubro, 2015.
Foram três...
Três inesquecíveis! Os três mais amados, os mais queridos, os mais desejados! Foram os 3 mais apaixonados, os 3 mais alegres, os 3 mais animados!
Foram 3...
Talvez os 3 que mais me decepcionaram, os 3 que mais mudaram, os 3 mais calorosos que se tornaram os 3 mais gélidos.
Existiram Três...
Três de momentos lindos, de sorrisos sem motivos, três motivos bons pra sorrir, três sorrisos pra se ver depois de três palavras sempre ditas nesses três!
Existiram 3...
Três gritos perdidos, três caras feias e amargas, três motivos pra gritar e pra se estar com o rosto marcado por semblantes amargos que foram afogados por três lagrimas presas que aguaram os três que foram vividos...
Acabaram 3...
Acabaram os 3 que não acabariam, dormiram os 3 que não dormiriam, morreram os 3 que não morreriam... e ao terceiro dia não se quer despertaram.
Acabaram três...
As três mais ditas foram caldas, as três mais lidas foram apagas, as três mais pensadas foram escondidas... as três que representaram o sentimento representam agora o Adeus!
E assim acabam exatamente com três: Fique com Deus!
Até Breve,
Ass.: A Dona das Gotas de Marfim.
domingo, 4 de outubro de 2015
É uma ideia que existe... sem a menor intenção de convencer!
Outubro, 2015.
Uns olhos cor de medo, cor de susto. Esses olhos que se escondem atras de um meio sorriso discreto, tímido e recolhido, emoldurado por um rosto levemente corado de pavor, de medo e de insegurança. Uns olhos de cor calma, de cor clara e alma amarga! Um sorriso rustico, bonito e contido. Um rosto delicado, assim bem bonito, assim bem entristecido. Esses olhos começaram a brilhar, o sorriso a se mostrar e o rosto a se acalmar. A valsa começou a tocar, uma mão tremula me puxou pra dançar e ai deslizamos por toda noite passos de valsa, olhares discretos, meio sorrisos maliciosos e faces levemente avermelhadas.
E assim fomos dançando, nos deixando levar por aquela ilusão. E nesse momento tudo sumiu da nossa frente como um passe de magica, só eu e aqueles olhos me fitando, se chegando, sentindo meu cheiro perto do meu ouvido. E os olhos antes tristes se mostraram ferozes, um olhar de quem caça, o sorriso discreto passou a ser aquele sorriso cheio de pecado, como um tigre que sorri pra sua presa ali indefesa, o rosto agora me mostrava um expressão seria, concentrada. E de repente a leveza da valsa foi deixada de lado por toda a violência e fúria do nosso pasodoble. E aquela dança parecia uma tourada, a respiração ofegante dava ritmo aos abraços apertados e aos passos complicados. E aquela dança foi nos envolvendo e nos dominando. E sempre mais um abraço, mais uma passada de pernas, mais um aperto na cintura e a respiração pulsando e nos enlouquecendo e parecia nao ter fim... E aqui para. Exatamente aqui. Sem fim, sem concesso. E aqueles olhos continuam a me olhar, o sorriso continua a me desejar e o rosto continua aqui tentando sempre roubar o perfume de mim. É a simpatia da dança, é a simpatia do olhar, do sorrir e do despedir!
E com as sabias palavras de Casimiro, aqui eu encerro minha dança. E assim disse ele:
"Simpatia - meu anjinho,
É o canto do passarinho,
É o doce aroma da flor;
São nuvens dum céu d'Agôsto,
É o que m'inspira teu rosto...
- Simpatia - é - quase amor!"
... Pasodoble - é - quase valsa (só que com mais calor!)...
Até Breve,
Ass.: A Dona das Gotas de Marfim.
quarta-feira, 30 de setembro de 2015
Ela diz e Ele não acredita.
Setembro 2015,
O ultimo dia do mês me trouxe uma surpresa. Os últimos dias sempre me trazem surpresas. Uma pena a surpresa de hoje ser triste.
Eu tive um sonho, e essa foi a surpresa. Foi ter esse sonho.
No sonho eu caminhava por um jardim lindo e iluminado pela luz do sol, mas ja era meia noite, como o sol ainda estava ali? O jardim tinha cheiro de chocolate e cerveja, e tinha uma adrenalina solta pelo ar que contagiava tudo, era como andar por um jardim proibido, secreto. E aquilo virou um labirinto, e quanto mais eu andava, mas queria estar perdida e contagiada por aquela musica que tocava e me alucinava. De repente eu encontrei uma gaiola, e algo me atraiu pra perto daquela gaiola. O cheiro de chocolate com cerveja vinha de la, e o pássaro preso la dentro era quem cantava a musica que me deixou alucinada. Algo me mostrou que o perigo era justamente me aproximar do pássaro, e abrir sua gaiola. E como a boa menina má que sou, abri a gaiola e disse: voa pra mim? E nessa hora o sol se apagou e deu lugar a chuva, a musica se calou e o cheiro de chocolate sumiu, so ficou o de cerveja regada a choro e lagrimas. E o pássaro me olho e nos seus olhos eu vi correntes. Correntes presas a sua alma. Como um espirito acorrentado pode ser livre? E o pássaro me olhou e me olhou. E ali ele ficou, com um semblante triste, com uma alma pesada das correntes que prendiam seu coração tão bom, tão grande. Sabia que os pássaros presos não cantam? Eles choram. Porem, não se pode fazer nada quando se escolhe chorar ao invés de cantar.
Eu deixei sua gaiola aberta pássaro, mas so quem pode sair dela é você!
Até Breve,
Ass.: A Dona das Gotas de Marfim.
quarta-feira, 23 de setembro de 2015
Eis o que eu posso te oferecer
Setembro, 2015
Um moço bonito de olhar cheio de carência deixou em pedaços o meu coração. Um rapaz tão sortudo, mas que não exibia sorrisos, deixou os meus nervos de aço no chão! Fiz uma pequena adaptação da musica pra ver se você se percebe nela. Será que você se reconheceria? Será que veria o quão bonito é por dentro e por fora?
As vezes pedimos amores e ganhamos amigos... Ou melhor, perdemos horrores e ganhamos amigos! Ganhei um amigo, mas ele não sabe como ele é especial, impar no mundo, único em sua essência! Tem defeitos e qualidades, mais qualidades que defeitos, defeitos apagados pelas qualidades!
Eu o vi, mas não o vi. Eu o vi por dentro, só os que ja sofreram podem ver uns aos outros na sua face mais profunda, aquela mais se esconde. Eu o vi ali totalmente despido de qualquer mascara para tentar esconder que em seus olhos duas lagrimas pesavam e lhe travavam o sorriso. Eu o vi ali, precisando de um abraço, de um carinho, de um amigo, porém ele nao se viu assim. Ele nao quer se ver assim. Talvez, quem sabe se o moço dos olhos castanhos e da pele morena convidativa se visse no espelho, talvez ele se apaixonasse por si mesmo... A rapaz, me caro amigo, isso lhe cairia tão bem, isso seria tão proveitoso pra você. Porem, esqueçamos as cobranças, os conselhos, as criticas... Apenas se desarme e me abrace!
Pois tudo que ofereço, é meu calor, meu abraço e meu silencio, aquele que cai sempre bem nas horas perdidas dos dias confusos de amores mal resolvidos.
Então moreno, se chega aqui. Se chega aqui perto! Se chega e abraça aqui dez segundos e so abraça.. Esquece o mundo. Abraços tem poder curativo, e vc não sabe o quanto o abraço de um amigo alivia. Faz vc perder 2 lagrimas que pesam. Que quando caem um leve sorriso abre. E isso melhora tudo. Então so se chega e abraça, que eu te garanto meu abraço mais sincero, minha amizade mais pura, e meu silencio absoluto!
Como eu disse, pedimos amores e deles lhes roubamos os amigos. Que a tristeza saia, ela não combina com a nossa amizade!
Até Breve,
Ass.: A Dona das Gotas de Marfim.
sábado, 12 de setembro de 2015
Um Sol eu sou para o seu Mar, óh meu amor!
Setembro, 2015
E eu estou aqui, sentada a beira da praia com uma caixa de lembranças e fotos sobre as minhas pernas. A brisa do mar bagunça meu cabelo e faz tremular a fita que se prende a caixa, como se quisesse passar a mensagem de que eu devo abri-la!
A caixa sobre as pernas, uma mão mexe o cabelo e a outra segura o celular, na esperança inútil de ver as horas passarem mais rápido. Olhei pro mar ali na minha frente, tão bonito, tão misterioso, beijando a areia calmamente. Quantas histórias ele tem pra contar, quantas despedidas ja viu, quando beijos de amor, quantos finais nada felizes, quantas lagrimas se misturaram as suas águas que hora são cristalinas como os sentimentos de amor, hora turvas como o ódio e o rancor dos corações despedaçados.
O sol se pondo ao fundo, se chegando no mar aos poucos torna tudo mais bonito, faz tudo parecer um quadro, uma fotografia. E o vento continua balançando meus cabelos e me hipnotizando, e eu continuo olhando pro celular e esperando respostas pras duvidas que eu nem sei quais são.
De repente eu sinto você chegar de mansinho, um beijo no meu pescoço, não chega muito perto pra não me molhar. Solta ali a companheira das ondas boas e ruins, ela também merece o descanso. Se chega mais perto, me olha no fundos dos olhos e fala: Linda! Um beijo doce com gosto de mar faz a minha tarde ser mais feliz. E eis a resposta pra minhas duvidas.
Agora se vocês me dão licença, vou jogar a caixa no mar. Não, eu não a abri, são apenas histórias, que foram bonitas, que foram boas, porém... apenas foram, não voltam mais. Serão apenas mais histórias pro velho mar contar pra quem quiser ouvi-las em fins de tarde. Ah, e quanto ao fato de olhar sempre pro celular, é só pra nao perder nunca a hora de ver o meu garoto do mar voltar, me beijar e me falar: linda!
Bom fim de tarde aos que amam, aos que beijam, aos que se apaixonam. Aos que não amam, fica bem!
Até Breve,
Ass.: A Dona das Gotas de Marfim
segunda-feira, 7 de setembro de 2015
Die Farben
Setembro,
Era uma vez uma madrugada fria, em um tom escuro de noite sem lua e com poucas estrelas. O sono demorava a chegar e a insônia calmamente me fazia companhia, uma companhia sutil e agradável. Em meio a uma conversa perdida e desastrosa com meus pensamentos, eu fechei os olhos ali por alguns minutos na tentativa de acalmar o pequeno coração que sofria ali tentando se esconder.
E ai ao fechar de olhos eu nao adormeci, mas foi o repouso suficiente pra sentir ele chegar. E ele chegou, e ai ao meu lado deitou e me abraçou. Calmo, em silêncio, pra nâo me acordar!
Nenhuma palavra, nenhum movimento! Qualquer movimento estragaria tudo, porém um deles foi inevitável, deixar escapar uma gota de marfim, uma peróla de água que escorreu lentamente pelo rosto. E na tentativa de aliviar minha dor ele me fez dormir.
Era um vez um sonho, e nele uma viagem de um casal a um lugar especial. Era uma vez uma viagem, e essa viagem tinha tom laranja e sabor de torta de maçã com cheiro de chuva e sol juntos. Era uma vez uma torta de maçã, quentinha saindo do forno, servida deliciosamente por mãos delicadas que acariciaram meu rosto. Era uma vez um abraço, e um beijo selando a paz entre dois corações que pulsavam felizes ao sentir a presença um do outro, e esse pulsar arrancava meios sorrisos e alegrias espontâneas. Era um vez duas almas, dois corações, duas vidas, um amor. Era uma vez uma viagem, que acabou sem ter começado, que foi sem ter chegado, que deixou saudade sem ter sido vivida! Era uma vez a cor laranja que nunca foi vista, a torta que nunca foi saboreada e os sorrisos que não existiram. Os sorrisos... os sorriso existiram, e vão sempre deixar saudade! Era uma vez um sonho que acabou quando ele voltou pra onde agora repousa. Era uma vez um sonho, que eu sonhei ter sonhado e que eu sonhei ter vivido. E ele se foi como ele sempre vai, sem abraço, sem tchau, sem até logo, a despedida que nunca houve e nem haverá. Era, apenas, só mais uma vez...
Até breve,
Ass.: A Dona das Gotas de Marfim
quarta-feira, 2 de setembro de 2015
Um aperto que acalma e alivia
Setembro, 2015.
Ei você, vem aqui, volta e me abraça!
Sim, isso. Me abraça com a força que só você sabe abraçar, daquele seu jeito de me prender e me tirar o ar, de me fazer fechar os olhos lentamente enquanto você me mantem entre os seus braços.
Hoje está fazendo um frio terrível, e o seu abraço faz esse frio passar! O seu abraço quente, com a respiração ofegante ao pé do meu ouvido. O seu jeito sutil de deslizar os dedos calmamente pelo decorrer dos meus cabelos longos, que você adora. Os mesmo dedos que caminham bem devagar pela minha cintura, que me causa arrepio e que faz o ar faltar.
E quando você me agarra pela cintura e me puxa pra perto? E o seu sorriso aqui no meu ombro visto pelo espelho? E esses olhos, pequenos e atentos? Esses olhos... Esse abraço... Esse você, que me tira do chão por segundos que duram vidas!
Volta aqui, só mais um abraço. Sim aquele seu abraço, aquele que eu adoro e que me tranquiliza. Vem aqui, me olha de novo e me abraça!
Ei, você! Volta, não vai, fica e me abraça! É dentro do seu abraço que eu quero estar agora. Se for pra me prender junto a você, me prenda no seu abraço, aquele com gosto de fim de tarde, de chegada, de despedida, aquele seu abraço!
Até Breve,
Ass.: A Dona das Gotas de Marfim.
sexta-feira, 28 de agosto de 2015
Parvm Lvpvs
Agosto, 2015.
E quem sabe se eu sentir falta? É que se chegou bem leve, aos poucos, pra não me assustar.
E se talvez assustar? Bom, pela aparência e pela robustez das vestes da sua estrutura, pelos olhos pequenos e bem atentos como os de um lobo caçando, talvez quem sabe isso assuste.
Será que exite perigo? Talvez ate exista, talvez eu ate corra esse risco. Talvez... bom, quem sabe talvez!
É certa noite, esses tais olhos pequenos me fitaram com um olhar magnetizante, aqueles que estremece a base da sustentação e faz você desequilibrar. E é esse o medo, é essa aparência assustadora que causa o espantamento de pronto, e é exatamente ai onde o risco aparece, no desequilíbrio!
Lobos são assim, cercam as vitimas espiam de longe todos os movimentos e esperam a hora certa de atacar. E quando você menos espera surgem aqueles olhos no meio da escuridão com aquela respiração ofegante e o barulho dos passos rápidos na sua direção. Seu coração acelera e você vê o risco de um ataque certeiro, porem a criatura que se aproxima é tão magica, tão admirável em toda a sua rusticidade que você se encanta com aquele barulho erudito de músculos pulsando e lhe cercando. E é nesse momento que você fecha os olhos e se deixa levar na hipnose do ataque, as pernas tremulam e você vira alvo fácil de ataques que chegam a causar uma sinestesia de emoções e o cérebro delira. E é ai que você vira mais uma vitima, mais uma estatística, mais uma com histórias pra contar sobre lobos e seus ataques sorrateiros em noites de lua. E quando você conta as historias, dizem que os lobos voltam, e como se manter longe deles? o medo corre de mãos dadas com a adrenalina e você pensa: avribvs teneo lvpvm...
Até Breve,
Ass.: A Dona das Gotas de Marfim.
segunda-feira, 24 de agosto de 2015
alea iacta est
Agosto, 2015
O sol desponta quente e claro no nascente e vai abrindo toda a sua cor dentro do quarto. Tudo revirado, parece que um terremoto passou por aqui. Copos espalhados pelo quarto, um mar vermelho de vinho mancha o chão branco, roupas pra todo lado. E aquela cor branca do sol chega a cegar.
Mas o que houve?
Talvez isso não venha ao caso agora. Olhei meio torto por cima do lençol e a caixa de sombras e sonhos perdidos estava ali meio que aberta. Talvez todos os sonhos liberados de uma vez só tenham causado essa confusão que sai de mim e se reflete no ambiente.
E toda essa confusão vai fazer sentido. Sim, uma tormenta, um maremoto, tudo intenso, tudo junto. Agora é tentar levantar e andar pra redenção, pra igreja de todos os bebâdos.
E daí se eu sumir, e dai se eu fingir, e dai se eu quiser.
É que ainda me restem mais 3 vidas e 3 doses.
Até Breve,
Ass.: A Dona das Gotas de Marfim.
sexta-feira, 14 de agosto de 2015
No meu olhar mais doce
Agosto, 2015.
Sempre aqui, assoprando as velas sozinha. A alegria do dia 13 sempre se transforma em lágrimas que caem do meu queixo e secam sem tocar o chão. E é sempre assim, pelos cantos, escondida,pra ninguém me ver chorar, pra que você não me veja chorar, mas você sempre vê não é?!. A dor começa a dar lugar a saudade. Sim, saudade das suas brincadeiras, do seu jeito de olhar as horas, do sotaque e do "R"; dos apelidos, dos sorrisos, das brigas, de você! E eu sei, que por onde for vou carrega-lo em cada sorriso meu, em cada gesto bom e em cada abraço que eu der. Por que você sempre foi e sempre será o melhor de mim, o mais puro sentimento, que ainda vive e pulsa aqui dentro. Que os dias 13 continuem a ser menos dolorosos que os dias 16, mas sempre com a mesma saudade, com a mesma lembrança. Aonde quer que você esteja, é hora de assoprar a velinha e fazer o pedido. A você duas Gotas de Marfim e um pedaço de bolo. Feliz aniversário!
Até Breve,
Ass.: A Dona das Gotas de Marfim.
terça-feira, 28 de julho de 2015
Me apaixonei por um anjo
Julho, 2015.
Ele está aqui. Não consigo vê-lo, mas tenho certeza que ele chegou. E como eu sei disso? Eu simplesmente não sei. Nunca o vi, nunca senti seu cheiro ou se quer ouvi sua voz. Não faço a menor ideia de qual textura tem a sua pele. Eu sei que ele existe, a sim, ele existe sim. E ele é encantador.
E aí você vai me perguntar: como se apaixonou? E ai eu vou responder: eu não sei, só sei que eu me apaixonei; eu me apaixonei por um anjo. Sim, isso mesmo, um anjo.
Ele sempre anda comigo. Quando eu estou triste ele chega, de mansinho, e eu sinto que ele me abraça e me faz carinho como se me falasse: não chora, a dor logo passa. Quando eu fico feliz eu sinto que ele aperta minha mão direita com força, força o suficiente pra me dizer: eu estou aqui, e essa felicidade agora é minha também.
Um dia ele me apareceu em sonho, eu não o vi. Mas sabia que era ele, e ele, com sua luz branca, me abraçou, me beijou o rosto e me cobriu com suas asas. Naquela hora o frio passou, a dor aliviou e o coração se alegrou. Ele tinha cheiro de manhã de domingo quando chove e faz frio, tinha na pele o calor de um sábado na praia com os pés na areia, e seus olhos, seus olhos tinham a imensidão das sextas feiras a noite, quando achamos que tudo ali começa e nada termina. Só que exatamente como as noites de sexta, ali quando eu menos esperei, o sonho acabou, o frio voltou e meu anjo, docemente me soltou do seu abraço e me ele disse ao pé do ouvido: o sonho só começa, estou sempre com você.
Ah o meu anjo, está sempre comigo. Me faz ficar mais perto de Deus, me faz sentir bem, segura a minha mão e não me deixa só. Um dia eu o verei, mas não importa a cor dos seus olhos, ou a sua altura, já me basta saber que ele é o meu anjo, e que em suas asas ele me carrega pra onde eu quero estar.
Até Breve,
Ass.: A Dona das Gotas de Marfim.
sexta-feira, 15 de maio de 2015
Me disseram que me viram por ai...
Maio, 2015
O telefone tocou insistentemente, como um bebê chora em uma madrugada interminável. Algo me prendia a cama como se fossem correntes. O dia amanhecia calmamente e o sol ia clareando aos poucos o quarto bagunçando. As fotos dos nossos momentos felizes iam se iluminando, os presentes, a decoração. A unica que naquele momento não se iluminava eramos nós dois, antes tão próximos e agora dois estranhos dividindo o mesmo relacionamento.
o telefone continuava a tocar e o choro preso a minha garganta parecia travar a mão impedido que ela alcançasse o celular ali ao meu lado, tocando e aparecendo a sua foto. Você, sempre você pra me ligar, no mesmo horário, do mesmo jeito; nada de novo. Porém quando eu atendi, o silencio foi a novidade. Ficamos ali, em silencio, até você me perguntar: "E aí, como você tá?". Conversamos muito pouco, uma conversa finalizada com um falso "Eu te amo", sem o menor sentimento, sem o menor calor, só "Eu te amo".
A quem estamos querendo enganar? Pra quem estamos fingindo ou mentindo? Acabou, é simples assim. Não adianta postergar um fim evidente. E toda essa farsa pra fingir que estamos bem? Um tomando o tempo do outro, um gastando a juventude do outro. Você parece sempre bem, pra você está otimo, exatamente como o eu te amo seco do final da ligação. E Eu? Onde eu entro? Quem se importa, pra ele esta tudo bem mesmo.
São quase dez da manhã, e as lagrimas pesam nos olhos de forma extremamente dolorosa. Porém é hora de vestir a mascara de boa moça e sair. O sol saiu de casa cedo, e eu também vou. Não adianta me esconder e arrumar a mala, se eu não vou sair disso, seu nem ao menos sei onde quero ir. E assim vamos levando, com simples e secos "Eu te amo".
Até Breve,
Ass.: A Dona das Gotas de Marfim.
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