terça-feira, 1 de maio de 2012
Se um sabiá chegar pra lhe acordar, esse sabiá sou Eu.
Maio, 2012.
Resolvi dormir com a janela aberta, não sei, talvez quisesse sentir a brisa da noite enquanto dormia. Aquela brisa que lhe traz lembranças boas e que lhe faz chorar de saudade sem saber de quem. Pois bem, desejo a mim concedido pelos anjos da guarda e pelo Deus do sonho, meu grande amigo de linda e longa data, Morfeu. Dormi embalada ao som de um blues carregado e iluminada por uma luz que amarela insistia em me despertar.
Nessa manhã, que está linda, eu acordei com um leve sopro de brisa que tinha um perfume familiar. Ao abrir os olhos deparei-me com um lindo sabiá laranjeira em minha janela, e ele se aproximou de mim. Eu achei estranho um sabiá laranjeira em uma cidade grande, achei que ainda estivesse sonhando, mas não queria acordar, pois a visão do nascer do sol emoldurando o sabiá, que trazia uma flor em seu bico, me deixou extasiada. Para maior espanto, o sabiá trazia em seu bico uma açucena vermelha, mas não era um vermelho qualquer, era um velho vivo e pulsante, nunca havia visto antes aquela cor e muito menos uma açucena. Eu estendi a mão e o sabiá nao se assustou, gentilmente me permitiu que pegasse a flor que segurava, e eu peguei. O sabiá começou a assobiar, mas não era o canto do sabiá, era uma canção...
Era assustador e espantoso o modo como o sabiá cantava a melodia pra mim, como na tentativa de que eu continuasse a canção, mas eu nao conseguia associar... De repente eu comecei a cantar uma canção que prometi que não cantaria nunca mais, e cantei os seguintes versos:
"Não se admire se um dia
Um beija-flor invadir a porta da sua casa
Te der um beijo e partir
Foi eu que mandei o beijo
Que é pra matar meu desejo,
Faz tempo que eu não te vejo
Ai que saudade d'ocê..."
O sabiá parecia ter ficado feliz e continuou assobiando a canção. Depois parou, voou dentro do meu quarto ao redor de mim e pousou no meu ombro, me olhou de novo e depois voou.
Se foi um sonho? Não foi. Estava acordada e a açucena ainda esta em cima da minha cama sobre os lençóis bagunçados.
Quem foi? Não sei, só sei que adorei o sabiá me acordando.
E ao pequeno sabiá deixo o meu pedido: "Tu que andas pelo mundo, Sabiá. Tu que tanto já voou, Tu que cantas passarinho, alivia a minha dor! Tem pena d'eu, diz por favor, Tu que andas pelo mundo onde andas meu amor...."
Até Breve,
Ass.: A Dona das Gotas de Marfim.
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