sábado, 5 de maio de 2012
Me and Mr. Jonnes
Maio, 2012.
Era uma noite com tudo pra ser detestavelmente linda e perfeita, porém, uma certa taça de vinho italiano mudou a terrível maldição da noite enluarada.
O telefone tocou, nem acreditei quando atendi e era sua voz naquele tom suave, quase que sussurrando ao pé do meu ouvido. Foi como um delírio febril, uma alucinação. Completamente abobalhada nem se quer sei o que falamos, só sei que sem perceber caminhei para guilhotina que me aguardava como se caminhasse em direção ao altar, disse um sim com um tom de desejo!
Decidi que seria hora de retirar do fundo da adega aquele vinho italiano cabernet-sauvingon que compramos na ultima viagem a Itália. Talvez a melhor de todas. Lembra das lindas visões de Roma? Dos sabores da Toscana? Lembra de todos os vinhos, todos os delírios e todos os desejos daquele carnaval em Veneza? Parecia que tínhamos acabado de nos conhecer quando você tirou minha máscara e me beijou naquela praça.
Vinho devidamente gelado, era hora do cardápio. Nada demais, pensei em um filet de cordeiro. Será que se lembra daquele filet de cordeiro que provamos na viagem ao Marrocos? Aah, e aquele cuscuz marroquino na viagem ao Cairo? A culinária árabe é tão maravilhosa como os encantos desses lugares. Lembra daquela casa de chás que fomos no Cairo? Nossa, as bailarinas pareciam verdadeiras Deusas da Dança.
Sabe do que eu lembrei pensando em você, daquela torta de maçã que experimentamos em Viena, Apfelstrudel, como eles chamam lá. A nossa, a viagem a Viena foi indescritível. Lembra que era outono e a cidade tinha um tom alaranjado lindo. Lembra também que brincamos dizendo que nos casaríamos lá, em Viena, mas a cidade teria que ter aquele tom e todos os convidados só comeriam Apfelstrudel. Quantas lembranças boas.
Optei por usar aquele vestido Channel que você me deu como mimo na viagem a Paris. Ah Paris, é tão linda como as histórias e romances que a cercam. O lugar da nossa primeira e ultima viagem. Começamos em Paris e terminamos em Paris. Se não tivesse tido um fim terrivelmente trágico se tornaria um poema, ou até um quadro.
Você chegou de leve, nem o ouvi entrar, senti o cheiro do perfume Calvin Klein que lhe dei quando fomos aos Estados Unidos. Havia esquecido que você ainda tinha a chave do nosso apartamento. Você lindo... Num "look" digno de um galã. Sentamos ao luar, e você abriu o vinho.
Risadas, gargalhadas, lembranças das viagens. Você insistiu em lembrar do mico em Amsterdã, quando naquela rave eu provei um certo doce e fiquei completamente louca e você rindo. Lembrei-lhe também da viagem a Colômbia, do famoso chá de coca.
Foram tantas viagens... Tantos lugares, tantos sorrisos, tantas festas. Nós eramos extremamente felizes e nãos nos davamos conta disso. Ou melhor, sabíamos sim o quanto eramos felizes.
Depois talvez da decima taça de vinho, quando lembramos da ultima viagem a Paris, você me olhou serio e me perguntou: Por que acabamos assim?
Não aguentei e derramei uma lagrima e acho que ficou subentendido que nem nós mesmos sabíamos ao certo porque havíamos posto um fim no nosso romance.
Calados, ele me olhou e puxou para um tango. Enquanto dançávamos ele me falou ao pé do ouvido:
"Eu te amo, amo até mais do que queria amar. Sei que foi erro meu e seu também. Demoramos demais pra perceber. O destino foi injusto com nós dois e agora não pertencemos mais um ao outro..."
Depois de vários copos de vinho ao som de vários blues e iluminados por uma lua desgraçadamente linda, a noite chegou ao fim, sem explicações e sem um consenso, exatamente igual a ultima viagem a Paris.
E assim ficamos. Sofrendo em silencio fingido estar tudo bem e vendo as viagens dos outros tentarem ser iguais as nossas. Nunca serão. Nós nunca mais seremos, essa é a terrível verdade que se estampava como o dia que vinha nascendo enquanto eu terminava de tomar o vinho, sozinha, como tem que ser.
Até Breve,
Ass.: A Dona das Gotas de Marfim.
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Que lindoooo!
ResponderExcluirMuito Obrigada Querida. Talvez a historia não seja tão bela assim...
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