
Dezembro, 2011.
Coloquei minha melhor roupa e me maquiei, do jeito que sei que você gosta. Coloquei também aquele perfume que você me disse que adora, estava do jeito que você gosta de me ver, linda!
Sai no carro e fui ao nosso local de encontro, aquele barzinho de esquina, sem muito movimento, bem ao seu estilo, nada de chamar a atenção.
Cheguei e o garçom, nosso velho conhecido, já trouxe logo a bebida que você sempre pede pra mim, e me perguntou: "Estás só nessa noite de sábado? Onde está o amado?"
E eu o respondi com um sorriso no rosto, aquele sorriso que você não cansa de dizer que é lindo, respondi: "Meu bom rapaz, o amor desta boba está a caminho..." E dei aquela gargalhada serena, aquele que você diz que gosta de ouvir, que lhe faz bem.
Pois bem, o tempo começou a passar e nada. Nem pedi e quando menos esperei o garçom trouxe-me outro drinque. Eu imaginei que talvez fosse algum imprevisto, coisas do transito, do trabalho... E o tempo infelizmente insistia em passar, cada vez mais rápido, cada vez mais chato.
Pois bem, o tempo começou a passar e nada. Nem pedi e quando menos esperei o garçom trouxe-me outro drinque. Eu imaginei que talvez fosse algum imprevisto, coisas do transito, do trabalho... E o tempo infelizmente insistia em passar, cada vez mais rápido, cada vez mais chato.
Bom, eu estava ficando preocupada, resolvi ligar. Foi em vão...
O terceiro drinque estava quase chegando ao fim quando eu me peguei olhando atentamente para o celular e pedindo quase que em um apelo desesperado que ele tocasse, e que fosse uma chamada sua me dizendo que já estava perto. Em um momento o desespero tomou conta de mim e eu estava esperando a mesma ligação, só que eu queria que você me falasse que ocorrerá um imprevisto e que não poderia me ver. Porém, a dor e o silêncio da incerteza fizeram arder meus olhos e eu olhei para o garçom e disse: "Meu caro amigo, sirva-me mais um drinque por favor, só que dessa vez eu quero aquele que ele sempre pede." O Garçom, coitado, já acostumado a ver cenas assim atendeu ao meu pedido com carinho e me serviu o melhor drinque de seu cardápio.
A maquiagem perfeita, ficou borrada, exatamente daquele jeito que você não gosta. O sorriso transformou-se em um semblante de raiva e dor, como aquele que você pediu para que eu nunca usasse. O drinque agora era aquele que você odeia quando eu teimo em tomar. Fiz tudo que você não gosta que eu faça, talvez assim você me dê atenção. Mas nem isso funcionou.
Peguei as chaves do carro, e sai, voltei para casa.
Em casa, abri minha melhor garrafa de Vinho do Porto, aquela mais cara, que você adora e que eu comprei especialmente pra você. Pois bem, fiz questão de degustar cada gota do vinho, sozinha! Essa noite eu deitei na cama, minha cama, aquela que você adora por que tem meu cheiro, deitei e dormi, dormi leve. Resolvi não me entregar em seus braços, essa noite, entreguei nos braços de Morfeu, e com um nó na garganta lhe supliquei que não sonhasse com você!
Que fique claro a indignação de uma mulher que lutou até a ultima ponta para não se apaixonar. Que afastou de si todas as mil e uma faces do maldito amor. Essa mulher que se mostra como uma parede de chumbo e que faz questão de espantar os românticos. Essa mulher um belo dia resolveu então pedir trégua e assumiu que estava de veras apaixonada, e pra quê? Pra ser esquecida como uma flor que começa a murchar, pra sentir saudade e sofrer por alguém que... Certa vez alguém me disse que: "A Maior covardia de um homem é despertar o amor de uma mulher sem ter a intenção de amá-la." Diga, por favor, que eu estou enganada, é a unica coisa que peço.
E se for pra me fazer sofrer de saudade, faça como se faz com pacientes a beira da morte: diga-me que é o fim, mesmo sabendo que não é isso que eu quero!
Até Breve,
Ass.: A Dona das Gotas de Marfim.
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