
Janeiro, 2012.
Encontrei-o em meio a estranhos. Ele também era um estranho, mas me parecia familiar.
Eu o conheci rodeada por desconhecidos e ele era parte do clã, porém, me passava a segurança que eu precisava para encarar o que não conhecia. Ele me trouxe esperança em dias de seca, me deu olhares em dias de chuva, beijos em dias de sol, abraços em dias de frio e cor aos dias quente. No entanto, tudo que chegou um dia vai partir. O que nasceu, um dia morrerá; o que é doce acaba e o que era chama em brasa também apaga.
Quando ele me deixou, sim ele, o meu bem querer, ele me abraçou e me disse: "Seja feliz, e passe bem!" Eu como uma boa moça, obedeci e baixei a cabeça como um gesto de absoluta submissão à suas palavras. Chorei por ele 365 longos e interminaveis dias acompanhados de 365 tenebrosas e escuras noites. A cada dia, antes de dormir ele era a ultima coisa que me vinha a mente. Era também o responsavel pela insonia me que fazia companhia pela madrugada que se arrastava tão lenta como uma noite de sono bem dormida. Durante as orações eu pedia: "Senhor, que eu goste menos dele amanhã." E de nada adiantou. Como eu ja disse, foram logos e interminaveis 365 dias e noites, e só, nem uma fração de hora a mais.
Um belo dia qualquer, numa tarde unica eu o revi. Ele estava muito bem, sorriso constante, todo cheio de si e infelizmente, ele também me viu. Veio ao meu encontro me perguntou se estava bem e eu educadamente respondi que sim. Em um momento de loucura, aquele homem me tomou novamente em seus braços e me falou ao ouvido: "Sinto falta das nossas conversas, sinto a sua falta. Você sabe que eu gosto muito de você."
Agora, me responda: se gosta, por que fazer sofrer? Se sente falta, pra que abandonar? Se me queria pra conversar, por que me disse pra ir?
Eu lhe respondi: Não, você não sente falta. Não você não gosta de mim e não, você não sente saudade das conversas. Sai sem olhar.
E ele me falou: não esperava isso de você. Que atitude egoista.
Se eu o tivesse respondido eu teria dito: Não se trata de egoismo. Se chama amor proprio. Eu sei o quanto chorei, eu lembro o quanto sofri e lembro também o peso de cada lágrima. Como eu disse, não é egoismo, trata-se de valorizar a unica pessoa no mundo que realmente merece: Eu mesma.
Não espere de mim nada além do que sou.
Até Breve.
Ass.: A Dona das Gotas de Marfim.
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