quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Eu digo: me devolva o que tirou daqui!




Janeiro, 2016.


E ai você chegou.
E você chegou assim, e ficou assim, e me amou aqui!
Bem aqui você o achou, e como se achasse algo a muito perdido e a pouco encontrado o agarrou, o abraçou e tomou para si como se fosse seu. E sem que eu percebesse você já estava com ele nas suas mãos. As mesmas mãos que carregam uma marca pesada que a muito se instalou e que você pouco importa de esconder. A mesma mão que o segura tão pequeno, tão indefeso e tão cansado de chorar trancado e a sós, essa mesma mão mostra toda a crueldade que carregas, de apenas querer brincar, de apenas querer usar. A marca nas mãos se torna evidente e você me tira a duvida sobre elas pacientemente como se tal fosse normal, e ai sem que eu me desse conta você o levou embora.
E ai você o roubou, sem que eu percebesse, assim o levou.
Numa noite eu vi o pequeno baú aberto e solitário largado em um quanto do quarto e o susto se apoderou de mim e governou meus sentidos guiando-os para a pergunta insistente: onde ela esta? tão pequeno, tão magoado, tão fragil! Quem o levou?
E pra que você o levou? pra ornar o seu altar particular?
E ai você some, e me devolve ele. De novo o tenho em minhas mãos, e agora devidamente trancado dentro do baú, de onde seu choro não incomoda a ninguém. Lá é o seu lugar, onde nao possa se magoar.
E aí você voltou, e ele se alegrou. Falsas promessas, ilusões criadas e eu pergunto: pra que? Qual a sua intenção?
E eu ascendo uma vela e faço uma oração a cada vez que meu pobre coração se alegra com suas rápidas chegadas e partidas, eu rezo pedindo proteção sempre que você demonstrar me querer. Oro compulsivamente e acendo mais velas a cada vez que você resolve pegar em suas mãos esse pobre coração.
Só um ultimo pedido, ou você resolve cuidar ou me devolva o que tirou daqui.


Até Breve,

Ass.: A Dona das Gotas de Marfim

Nenhum comentário:

Postar um comentário